4 de junho de 2017
servos da terra

“‘Não vos deixarei órfãos’ (Jo 14, 18). A missão de Jesus, que culmina no dom do Espírito Santo, tinha este objetivo essencial: reatar a nossa relação com o Pai, arruinada pelo pecado; tirar-nos da condição de órfãos e restituir-nos à condição de filhos. Ao escrever aos cristãos de Roma, o apóstolo Paulo afirma: ‘Todos os que se deixam guiar pelo Espírito, esses é que são filhos de Deus. Vós não recebestes um Espírito de escravidão que vos escravize e volte a encher-vos de medo; mas recebestes um Espírito que faz de vós filhos adotivos. É por Ele que clamamos: Abbá, ó Pai!’ (Rm 8, 14-15). Aqui temos restabelecida a relação: a paternidade de Deus reativa-se em nós graças à obra redentora de Cristo e ao dom do Espírito Santo. O Espírito é dado pelo Pai e leva-nos ao Pai. Toda a obra da salvação é uma obra de regeneração, na qual a paternidade de Deus, por meio do dom do Filho e do Espírito, nos liberta da orfandade em que caíramos. No nosso tempo, também se constatam vários sinais desta nossa condição de órfãos: a solidão interior que sentimos mesmo no meio da multidão e que, às vezes, pode tornar-se tristeza existencial; a nossa suposta autonomia de Deus, que aparece acompanhada por uma certa nostalgia da sua proximidade; o analfabetismo espiritual generalizado que nos deixa incapazes de rezar; a dificuldade em sentir como verdadeira e real a vida eterna, como plenitude de comunhão que germina aqui e desabrocha para além da morte; a dificuldade de reconhecer o outro como irmão, porque filho do mesmo Pai; e outros sinais semelhantes. A tudo isto se contrapõe a condição de filhos, que é a nossa vocação primordial, é aquilo para que fomos feitos, o nosso DNA mais profundo mas que se arruinou e, para ser restaurado, exigiu o sacrifício do Filho Unigênito. Do imenso dom de amor que é a morte de Jesus na cruz, brotou para toda a humanidade, como uma cascata enorme de graça, a efusão do Espírito Santo. Quem mergulha com fé neste mistério de regeneração, renasce para a plenitude da vida filial. Neste dia, festa de Pentecostes, tais palavras de Jesus fazem-nos pensar também na presença maternal de Maria no Cenáculo. A Mãe de Jesus está no meio da comunidade dos discípulos reunida em oração: é memória vivente do Filho e viva invocação do Espírito Santo. É a Mãe da Igreja. À sua intercessão, confiamos de maneira especial todos os cristãos, as famílias e as comunidades que, neste momento, têm mais necessidade da força do Espírito Paráclito, Defensor e Consolador, Espírito de verdade, liberdade e paz.
O Espírito – como afirma igualmente São Paulo – faz com que pertençamos a Cristo: ‘Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse não Lhe pertence’ (Rm 8, 9). E, consolidando a nossa relação de pertença ao Senhor Jesus, o Espírito faz-nos entrar numa nova dinâmica de fraternidade. Através do Irmão universal que é Jesus, podemos relacionar-nos de maneira nova com os outros: já não como órfãos, mas como filhos do mesmo Pai bom e misericordioso. E isto muda tudo! Podemos olhar-nos como irmãos, e as nossas diferenças fazem apenas com que se multipliquem a alegria e a maravilha de pertencermos a esta única paternidade e fraternidade.” (Papa Francisco)

7 de maio de 2017
servos da terra

“O que é a ternura? É o amor que se faz próximo e concreto. É um movimento que parte do coração e que chega aos olhos, aos ouvidos e mãos. A ternura é usar os olhos para ver o outro, usar os ouvidos para ouvir o outro, para escutar o grito dos pequenos, dos pobres, de quem teme o futuro; ouvir também o grito silencioso de nossa casa comum, da Terra contaminada e doente. A ternura significa usar as mãos e o coração para acariciar o outro; para cuidar do outro. A ternura é a linguagem dos pequenos, de quem precisa do outro, das crianças e seus pais. Gosto de ouvir quando um pai ou uma mãe conversa com seu filho pequeno, quando se fazem pequenos, falando como a criança. É a ternura do abaixar-se ao nível do outro como Deus fez conosco. A ternura é o caminho que percorreram as mulheres e homens corajosos e fortes. A ternura não é fraqueza, é fortaleza. Permitam-se dizer claramente: quanto mais você é forte, mais as suas ações têm um impacto sobre as pessoas e mais você é chamado a ser humilde. Com a humildade e o amor concreto, o poder, o mais alto, o mais forte, se torna serviço e difunde o bem.” (Papa Francisco)

1 de março de 2017
servos da terra

“Neste dia, disse Papa Francisco, Quarta-feira das Cinzas, entramos no Tempo litúrgico da Quaresma. Hoje quero falar-vos da Quaresma como caminho da esperança”. De fato, observou o Santo Padre, a Quaresma foi instituída na Igreja como tempo de preparação para a Páscoa, e portanto todo o sentido deste período de 40 dias tem no mistério pascal a sua fonte de luz ao qual está orientado.
“Podemos imaginar o Senhor Ressuscitado que nos chama a sair das nossas trevas e caminharmos em direção à Ele, que é a Luz. A Quaresma é um período de penitência, também de mortificação, mas não um fim em si mesmo; é um fim finalizado a fazer-nos ressuscitar com Cristo, a renovar a nossa identidade batismal, isto é, a renascer novamente do alto, do amor de Deus. Eis porque a Quaresma é por sua natureza, tempo de esperança.”
“Para entender melhor o significado de tudo isso, devemos fazer referência à experiência fundamental do Êxodo do povo de Israel, que Deus libertou da escravidão do Egito, por meio de Moisés, e guiou durante quarenta anos no deserto até entrar na Terra da liberdade. Foi um período longo e conturbado, cheio de obstáculos, em que, muitas vezes, o povo se viu tentado a desistir e voltar para o Egito.”
De fato, todo o caminho foi percorrido na esperança de chegar a terra prometida, e neste sentido foi um autêntico êxodo, uma saída da escravidão para a liberdade. “Cada passo, cada fadiga, cada queda e cada retomada, tudo tinha sentido só no seio do desígnio de salvação de Deus, que quer a vida e não a morte para o seu povo, a alegria e não a dor.”
“A Páscoa de Jesus, afirma ainda o Papa, é o seu êxodo. Para nos salvar, Jesus teve que se humilhar, fazendo-se obediente até à morte na Cruz, libertando-nos, assim, da escravidão do pecado. Desse modo, Jesus nos indica o caminho da nossa peregrinação pelo deserto da vida, um caminho exigente, mas cheio de esperança. Isto significa que a nossa salvação é certamente um dom, mas pois que se trata de uma história de amor, requer o nosso sim e a nossa participação como nos demonstra a nossa Mãe Maria e depois dela todos os santos.”
“A Quaresma vive desta dinâmica: Cristo nos precede com o seu êxodo, e nós atravessamos o deserto graças à Ele e atrás d’Ele. Ele é tentado por nós e venceu o Tentador por nós, mas também nós devemos com Ele enfrentar as tentações e superá-las. Ele nos dá a água viva do seu Espírito e a nós cabe a tarefa de procurar beber da sua fonte, nos Sacramentos, na oração, na adoração; Ele é a luz que vence as trevas, e nós somos chamados a alimentar a pequena chama da luz que nos fora confiada no dia do nosso Batismo. Com o coração aberto para este horizonte, entramos na Quaresma, sentindo-nos parte do povo santo de Deus, iniciamos com alegria este caminho de esperança.” (Papa Francisco)

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