1 de agosto de 2017
servos da terra

“Se eu falar, a minha dor não cessa, e, calando-me eu, qual é o meu alívio? […] Pois estou prestes a cair, e minha dor é permanente.” (Jó 16, 6; Sl 38, 17)

Se alguém te perguntasse: “afinal de contas, o que te faz, por vezes, sentir-te como os que vivem ou estão à revelia?”, o que responderias? O que marca a dor? A dor marca um tempo, feito de um antes, durante e um depois. Por quais vias a dor deixa marcas? Por acontecimentos vividos ou até por aqueles sentidos, embora fantasmados. Por quem a dor é admitida? Por quem lhe tenha dado espaço. Assim, ela se torna instalada. Se alguém já disse que “o melhor da vida é viver na gratuidade”, por que há quem se destine a renovar o espaço da dor ali onde ela mais intensamente tenha sido marcada? Exemplo: por que renovar, em atos constantes, o traço da dor do que já se deveria ter superado? Que marca é esta, cuja releitura reiteradas vezes está sendo formalizada? Não haveria nisso uma “curtição”, algo da ordem de uma morbidez cultivada? Por que dessa marca não consegues te distanciar? O que tenha sido marcado, por um tempo, não seria já o momento de fazer ultrapassagem? O que se há de fazer para que, ao menos, uma lição da dor se obtenha, ao invés de renová-la ao longo dos próximos acontecimentos? Por que se diz que a dor educa e até salva? A educação que passa pela dor encontra na sua superação qual motivação? E quem da dor é detentor encontra nisso qual valor? Se a dor é inerente à humana condição, é preciso encontrar um lugar onde ela não se torne um elemento balizador, orientador de toda uma vida em tudo que essa vida queira realizar. Se a dor tem seu lugar, que seja isto preciso e bem específico, a fim de que ela não ganhe uma dimensão maior do que a que lhe é devida. O que não concerne à dor é o que mais ao homem é devido. Não fomos criados para sofrer ou não sofrer, mas para viver com dignidade. Criados fomos para amar, embora por amar possamos também sofrer. Por que marca a dor? Por quem a dor é marcada? Por que se diz que a dor educa e até salva? Se a dor tem seu lugar, convém que este seja bem preciso e específico, repito, e que não faças dela um elemento norteador do que na vida tens de mais caro, pois isto não faria, para viver, nenhum sentido.

(Pe. Airton)

1 de julho de 2017
servos da terra

A Pa(lavra) de Julho de 2017: “Esta é a lei dos animais, das aves e de toda criatura vivente que se move nas águas, e de toda criatura que se arrasta sobre a terra. Para fazer diferença entre o imundo e o limpo; e entre animais que se podem comer e os animais que não se podem comer” (Lv 11,46-47)

“Há coisas para as quais não vale a pena viver, e outras para as quais não vale a pena morrer. É preciso discernir, bem antes de decidir. Certas decisões, uma vez tomadas, serão, depois, difíceis de retificar. Nem sempre as veredas encurtam a caminhada. Pelas concessões a que as veredas poderão te levar, tu poderás te perder, e, diferente do almejado no início, será o resultado na chegada. Ao longo de uma caminhada, nem sempre é possível, de imediato, descobrir o sentido de certas proximidades, pelas quais as concessões têm passagem. Existem proximidades que comprometem, e existem distâncias que fortalecem. Existem coisas que teimam em retornar, sobretudo aquelas que ainda não foram resolvidas e que, por isso, não encontraram o seu lugar. É preciso, então, observar a que conteúdo remetem certas ânsias pelas quais se tem passado. O que ainda não tiver sido elaborado, malgrado com isto se tenha de constante lidado, pode comprometer projetos, os mais sonhados e planejados. Coisas não elaboradas equivalem a coisas não admitidas, pois, ao se admitir, inicia-se a elaboração, e o que elabora uma ação passa pela consciência de saber que é preciso dar passos, a fim de que, como se era antes, não se permaneça. Do contrário, entraves, a partir daí, poderão surgir, e novos passos não irão acontecer. Volto, pois, a insistir: é preciso avaliar antes de decidir. Tão importante quanto caminhar é saber primeiramente aonde se quer ir. Tão importante quanto conseguir é saber conservar, mas viver pelo que não faz sentido é correr grande risco de, no meio da caminhada, cansar-se e procurar outras compensações como forma de levar adiante o que carece de sentido. Quem segue veredas evita o Caminho. Entre o Caminho e as veredas, terás que optar. Um pode ser mais difícil até de se trilhar; o outro pode até encurtar distâncias, mas há um preço a se pagar, como a perda da liberdade, sem o que comprometida estará tua própria identidade. Esvaziamento, por esta via, é matriz de evitáveis sofrimentos. Antes de decidir, é preciso discernir, pois os que apenas seguem e querem um objetivo, a qualquer custo, alcançar, acabam fazendo concessões pelas quais um preço grande, como o da própria liberdade, haverão de pagar. Sobre isso, convém pensar.” (Padre Airton)

1 de maio de 2017
servos da terra

A Pa(lavra) de Maio de 2017: “Prepara-te, e dispõe-te, tu e todas as multidões do teu povo que se reuniram a ti, e serve-lhes tu de guarda.” (Ez 38, 7)

Em razão de uma desatenção, quanta coisa foi modificada. Em razão de uma palavra mal pronunciada, quanta coisa brotou, aconteceu, fugiu do controle. Nem sempre é possível prever a consequência de um ato, mesmo que bem intencionado tenha sido, partindo de um reto proceder. O resultado de um ato não vem tão somente em razão de algo por ti desejado, mas também de quanto na outra parte se repercute, mesmo que para esta não estejam todos os elementos claros. O que tu dizes do lado de cá pode repercutir de forma inesperada do lado de lá. Coisas ditas do lado de cá podem acordar, do lado de lá, elementos que tu desconheces do lado de cá, e esses elementos acordados podem entrar em desacordo com o primeiro movimento, o primeiro gesto realizado.

Nem sempre, aquilo que pensaste ou disseste terá o resultado esperado, pois dependerá do eco, do que isso vai acordar do outro lado. Em acordos e desacordos, sonhando ou acordado, tu precisas administrar as tensões, aquelas que tu trazes dentro de ti e outras ainda que ficam longe ou ao teu lado. Se tu não levares em conta estes pontos, poderás viver o doce encanto – e, mais tarde, um consequente desencanto – de que as melhores intenções são as que têm mais chances de melhores resultados. Melhor seria se assim fosse, mas, como assim nem sempre acontece, é preciso que te disponhas a deixar em aberto a possibilidade de acontecer o contrário. Com isto saber lidar e com isto não se desesperar nem se decepcionar, é traço de alma madura.

Tu poderás perder uma batalha, mas a guerra poderás ganhar, a depender de como estiveres administrando aquilo que traz como consequência encantos ou desencantos. Tu poderás fazer superação e levar também a outra parte a perceber que, afinal de contas, entre muitas possibilidades, existe sempre uma outra forma de se ver, de lidar e viver. (Pe. Airton)

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