1 de abril de 2017
servos da terra

“Filho meu, atende à minha sabedoria; à minha inteligência, inclina o teu ouvido.” (Prov 4,1)

“Gerir e gerar são dois verbos que precisas bem conjugar. Do contrário, poderás gerar o que, depois, não terás como gerir, ou poderás gerir o que, não tendo sido gerado por ti, é passível de se tornar porta de entrada a evitáveis conflitos.

Em tudo, reside uma lição. Presta bem atenção às variáveis possíveis do que te estiver acontecendo, pois, de maneiras outras, algo pode vir a acontecer ou arrefecer, a depender de uma conjugação de elementos que te poderão ser favoráveis ou desfavoráveis, conforme estejas tu te posicionando acerca desses mesmos elementos. De um fato negativo, tu poderás tirar uma lição, assim como poderás considerar pouco valioso um fato que seja positivo.

Há coisas que conseguiste enxergar quando nem pensavas em olhá-las. E há coisas que, mesmo olhando-as, não conseguiste enxergar. Nem tudo pode acontecer conforme o planejado, mas, se estiveres preparado para o imprevisível, saberás fazer o salto, a passagem e disso obter bom resultado. A forma como tu estiveres administrando-te, sobretudo quanto às tendências mais presentes em teu coração, dirá da (in)oportunidade de decidir-se pró ou contra determinada situação. Grava bem esta lição.” (Pe. Airton)

1 de março de 2017
servos da terra

“Onde, pois, estaria agora a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver?”

(Jó 17, 15)

Tu açoitas a esperança a cada vez que te manténs no que te leva a cultivar ânsias. A esperança é açoitada quando o teu ser não colabora para uma forma autêntica de viver. Açoitas a esperança quando, tua confiança sendo frustrada, tu desistes de continuar a luta e ficas a um quarto ou a meio percurso de uma caminhada. Tu aceitas a esperança à medida que, mesmo sendo difícil, tu aceitas enxergar e avaliar potencialidades e limites do teu atual momento, no desejo consequente de encontrar o sentido para continuar a ser como intencionaste. Entre açoites e aceites, a esperança se faz companheira de jornada. Em um ou outro caso, sente-se ela estranha ou em casa, banida ou acolhida e, em decorrência, larga-te – deixando tua alma aflita ou “quase cansada” – ou faz em ti morada. Comportas se abrem (quem com isto se importa dentre toda a gente?), e o abandono da jornada se torna premente.

A esperança há de ser cultivada, por ser tua mais cara companhia. Por nenhuma razão, por nada nem por ninguém, queiras tu dela te esquivar, porque passarias a viver à revelia. Tu não podes fazer da esperança algo a se aproximar apenas em momentos que te forem convenientes ou aprazíveis. A esperança deve estar em ti em todos os teus momentos, por meio de uma forma de ser, de uma maneira de viver, de perceber. Ela se manifesta por teu estilo de vida, por convicções que partem do mais profundo do teu ser.

Se a esperança de ti se fizer acompanhada, a tua alma, mesmo nas crises, não se sentirá abandonada. A esperança espanta a ânsia, torna a alma alentada, qual se sentem os que, com o alimento, refazem-se após longa caminhada. Que ela se faça tua mais cara companhia, e, por ela, acredita, terminada a noite, virá o dia, embora aos teus olhos não seja isto claro. Dela, enamore-se o teu coração; por ela, equilibre-se a tua mente, e, em meio a malogro ou a aplausos, sê digno do que traz o seu nome.

Se tua alma, por alguma razão, sentir-se cansada; se a luta te parecer demasiadamente pesada, lembra-te desta verdade que, como pergunta, coloco-te: conheces, por acaso, alguma estação que dure para sempre? Tu conheces algum ato, pensado ou não, que não traga consigo alguma consequência? Tu sabes que, por momentos não pensados, paga-se caro, e coisas longamente construídas podem terminar em um só momento? Passado o momento de privação ou inquietação, verás a grandeza do teu momento presente. O melhor que tens ainda a construir dependerá de como estiveres administrando este teu atual momento.

Eu te peço que não te fixes demasiadamente em nenhuma estação, seja ela outono, inverno, primavera ou verão. Tudo vem com o seu tempo e lição, tudo tem sua dor e seu encanto, tudo pode ou não acontecer. Estejas, pois, preparado tanto para o planejado quanto para as eventualidades, pois o inesperado é a variável possível do planejado. A estação que estás vivendo, esse tempo que estás atravessando, traz consigo algo de positivo que é preciso ser percebido, sob pena de, assim não fazendo, continuares à procura de outros achados, em busca de novos sentidos.

Vou dizer novamente: por acaso, conheces alguma estação que dure para sempre? Considera que mesmo um ato impensado traz grave ou leve consequência. Disso, precisas ter ciência, pois certas coisas que poderão acontecer dentro de ti já começaram a ser geradas, e a maneira como, ainda neste estágio, tu geri-las trará mais repercussão do que possas imaginar.

Pe. Airton Freire

1 de fevereiro de 2017
servos da terra

“Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei. O Senhor o deu, e o Senhor o tirou: bendito seja o nome do Senhor.” (Jó 1, 21)

Ganhos e perdas, em tua vida, sempre experimentarás. Há ganhos que são perdas, porquanto impulsionam a alma a sair do caminho, a trilhar veredas. Há perdas que levam a que, enfrentando determinada situação, faças de ti mesmo, em teus limites, verdadeira superação.

Ganhar ou perder, em tua vida, sempre experimentarás, mas se existem perdas que são ganhos e ganhos que são perdas, disso não podes dizer “tanto faz”, pois lições se obtêm tanto de planejados acontecimentos quanto de atos decorrentes de equivocados procedimentos. Há coisas que só posteriormente haverás de entender. Importa, para o momento presente, que vivas intensa e coerentemente. Viver faz sentido quando, das palavras, os atos não fazem desmentidos.

Que não venhas tu a te perder por sempre querer ganhar, pois, em perdas múltiplas, muitas coisas poderias aprender, coisas estas que não aprenderias se sempre, na vida, ganhasses. Ganhos e perdas, em tua vida, haverás sempre de ter. A questão está no sentido que isto trará consigo por uma forma específica de viver.

Um dia, hás de reconhecer, nas lições do que tens vivido, parcela do que assimilado ainda não tenha sido. Por esta brecha, alarga-se, mais tarde, a possibilidade de se agir pela via do indevido. Com outra situação, ainda, é preciso ter cuidado: a de permanecer, insistentemente, querendo encontrar em tudo imediato resultado.

Um dia, haverás de perceber que é possível errar, querendo acertar. Um dia, contrariando tua própria vontade, tu te perceberás, não raramente, revivendo fatos do passado que muito te magoa. Marcas existem e persistem em relação a tudo o que, até pouco tempo antes, tolhia-te a espontaneidade de viver, revelando-te preso a certa realidade.

Pe. Airton Freire

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